Sífilis

O que é sífilis?

A sífilis é uma doença sexualmente transmissível causada por uma bactéria chamada de Treponema pallidum. Ocorrem episódios de doença ativa, seguidos por períodos de latência, quando a pessoa permanece infectada, mas não apresenta sinais ou sintomas.
Inicialmente a sífilis surge como uma ferida ou ulceração indolor, no local por onde a bactéria penetrou (usualmente na região genital) e pode passar desapercebida. Esta lesão é chamada de cancro e esta fase é chamada de sífilis primária.
Manchas vermelhas disseminadas e sintomas gripais surgem logo depois (sífilis secundária).
Se não tratada, a sífilis terciária pode se desenvolver anos depois e causar problemas que afetam o coração, olhos, sistema nervoso e ossos.

Como se pega esta doença?

Esta doença é transmitida pelo contato direto com as lesões cutâneas da sífilis. Estas ocorrem mais comumente na região genital ou anal, mas também pode ser encontrada na boca ou lábios. Assim, a transmissão ocorre por via sexual, que pode ser oral, vaginal ou anal.
Outras maneiras de se pegar sífilis são:
- Através de sangue ou derivados que não tenham sido adequadamente testados
- Pela placenta, da mãe para o bebê.
Homens e mulheres possuem um risco igual de pegar sífilis. Esta doença ocorre entre 15 e 34 anos.

Quais são os sinais e sintomas da sífilis?

Após a infecção, há um período de incubação de 10-90 dias (em média 21 dias) antes que qualquer sinal se torne aparente.
 
Estágio Características
Primário Pequena lesão única, vermelha, que rapidamente ulcera (cancro). Cicatriza em 4-8 semanas com ou sem tratamento. As lesões que ocorrem na vagina ou no ânus podem passar desapercebidas
Secundário Se não tratada, ou se houver alguma falha no tratamento, 3 semanas até 3 meses após o primeiro estágio, lesões vermelhas ocorrem em todo corpo
Estas lesões podem ser discretas, ou apresentar descamação, ou ser acastanhadas. Podem ocorrer em qualquer região do corpo, mas freqüentemente afetam as palmas e as plantas. Pode ser confundida com várias outras doenças
Queda de cabelo
Placas vermelhas nas superfícies mucosas
Placas elevadas, acinzentadas nas virilhas, região interna das coxas, axilas ou embaixo dos seios. Este tipo de lesão é chamado de condiloma latum
Outros sintomas incluem febre, cansaço, dores articulares e musculares, dor de cabeça e gânglios aumentados.
Outros órgãos podem ser afetados, como fígado, rins, sistema nervoso central, articulações e olhos.
Latente Ausência de alterações ao exame clínico
Infecção mantida é detectada através dos testes realizados no sangue (sorologia).
Terciária Sinais e sintomas podem se desenvolver 3-10 anos após a infecção inicial
Lesões solitárias tumorais (granulomatosas) podem ser encontradas na pele, na boca e na garganta ou ocorrer nos ossos. Estas lesões são chamadas de gumas. Nódulos, grandes ou pequenos, ou feridas podem permanecer por anos. As lesões na pele podem ser indolores, mas gumas nos ossos longos causam uma dor constante, que é pior à noite.
Envolvimento cerebral (neurosífilis) pode causar dor de cabeça, vertigem, visão borrada, distúrbios mentais, paralisia e demência.
Doença da medula espinhal resulta em dificuldade para andar, incontinência ou retenção urinária, impotência, e redução importante da sensibilidade, o que resulta em uma destruição das articulações (juntas de Charcot) e úlceras nos pés.
Outros órgãos internos podem ser afetados como o coração, vasos, olhos e  fígado podem ser danificados pela infecção
Congênita A sífilis congênita pode ser prevenida pelo tratamento antes de 16 semanas de gestação
O risco para o feto é maior na sífilis adquirida recentemente.
Abortamento espontâneo ou natimorto podem ocorrer.
Nas primeiras semanas de vida, os efeitos são semelhantes ao que ocorre na sífilis secundária, podendo ocorrer bolhas, vermelhidão e descamação, placas mucosas e condiloma latum (é muito infeccioso).
Secreção nasal, ossos inflamados, aumento do fígado e dos gânglios são comuns.
Alterações do sangue incluem anemia, plaquetas baixas e aumento dos leucócitos.
A sífilis congênita tardia afeta com freqüência os olhos, ouvidos, articulações, e o sistema nervoso.
Sinais característicos incluem: dentes mal formados, aspecto facial típico e tíbia em sabre. 
 
 
 
Sífilis primária: lesões em locais menos freqüentes, dedo e lábio inferior. Evitamos incluir fotos de lesões mais típicas, da região genital, devido ao amplo público dos boletins.
 


Sífilis secundária
 


Sífilis terciária - más-formações dentárias típicas da lesão congênita
 
 
Sífilis terciária - Lesões nodulares
 

Quais os exames laboratoriais para se diagnosticar esta doença?

A sífilis pode ser diagnosticada nas fases iniciais pelo exame direto em campo escuro de tecido ou material retirado de uma lesão.
Nos estágios mais tardios, será necessário se testar o sangue ou o líquido cefalorraquidiano para anticorpos. Há vários tipos de testes que podem ser realizados.
- Testes não-específicos (RPR e VDRL)
        - Podem apresentar reações falsamente positivas em algumas situações como gravidez, outras infecções, uso de drogas, portadores de lúpus eritematoso, e envelhecimento.
       - Os níveis usualmente se correlacionam com a atividade da doença e são usados para monitorar o tratamento.
       -Após o tratamento eficaz da sífilis estes testes usualmente se tornam negativos, mas em algumas pessoas, podem permanecer positivos em níveis baixos.
- Testes específicos anti-treponêmicos (FTA-ABS. TPHA)
      - Estes testes não diferenciam as diferentes espécies de treponemas, assim podem ser positivos em portadores de outras doenças, como Pinta ou Bejel, que são causadas por outras espécies de treponemas.
      - A maior parte daqueles que apresentam positividade terá testes reativos para o resto da vida.
Normalmente pacientes que apresentem uma doença sexualmente transmissível são considerados grupo de risco para infecção pelo HIV, assim esta sorologia é realizada de rotina nestes casos.

Qual o tratamento da sífilis?

A penicilina injetável ainda é o tratamento de escolha para a sífilis em todos os estágios. Outros antibióticos são menos confiáveis, mas tetraciclinas, cefalosporinas ou eritromicina podem ser usados naqueles alérgicos à penicilina. Mulheres grávidas alérgicas a penicilina devem ser dessensibilizadas e tratadas com penicilina.
Falhas no tratamento podem ocorrer em qualquer estágio da doença, assim acompanhamento por 1 a 2 anos é importante. Sífilis assintomática deve ser tratada para prevenção da sífilis terciária. A resposta ao tratamento no estágio terciário é variável, principalmente nos casos em que a pessoa já está infectada há muito tempo. Pacientes portadores de AIDS devem ser acompanhados de forma mais cuidadosa, pois ocorrem falhas com uma maior freqüência.

Como esta doença pode ser prevenida?

Todos os pacientes suspeitos devem interromper sua atividade sexual e procurar auxílio médico. Caso seja confirmado, todos os contatos sexuais devem ser notificados para que possam ser tratados de forma adequada.
Outras medidas para limitar a disseminação da sífilis incluem:
- Limitar o número de parceiros sexuais
- Uso de camisinha